Gastronomia e a inclusão social:

November 10, 2015

 

A partir dos anos 90, a Gastronomia entrou no Brasil pelas mãos de chefes de cozinha oriundos da Europa, mais especificamente da França, que vinham ao Brasil em busca de novos desafios, como explorar produtos brasileiros, principalmente as frutas da Amazônia e Nordeste.  Neste período, os saberes culinários, apesar de apreciados, eram desvalorizados pela sociedade brasileira. Aqui não existia mão de obra qualificada para atuar neste mercado que cada vez mais se tornava exigente, profissional e glamouroso. Neste período, chegaram ao Brasil, também, as grandes redes hoteleiras que necessitavam de mão de obra qualificada para os novos restaurantes que visavam atender um público diferenciado. Como a Gastronomia era uma profissão bem vista e bem remunerada fora do Brasil, e havia mercado de trabalho, não demorou em que ela passasse, a ser mais reconhecida no Brasil.  

 

O filósofo e gourmet francês BRILLAT-SAVARIN (1995), que define a gastronomia como sendo:”... o conhecimento fundamentado de tudo o que se refere ao homem na medida em que ele se alimenta. Assim, é ela que move os lavradores, os vinhateiros, os pescadores, os caçadores e a numerosa família de cozinheiros, seja qual for o título ou a qualificação sob a qual disfarçam sua tarefa de preparar alimentos... A gastronomia governa a vida inteira do homem.

 

A gastronomia também está ligada às técnicas de cocção e ao preparo dos alimentos, ao serviço, às maneiras à mesa e ao ritual da refeição. Sendo assim tão abrangente, podemos entender que cozinha e culinária estão inseridas na gastronomia. Cozinha e culinária são sinônimos. Ambos os termos se referem ao conjunto de utensílios, ingredientes e pratos característicos de um país ou determinada região.

Nesse contexto, torna-se necessário o ensino profissionalizante em gastronomia destinado a jovens em situação de vulnerabilidade social. A gastronomia surge como fator responsável pela transformação social, com o intuito de formar cidadãos conscientes de seu papel na sociedade, inserindo-os num mercado de trabalho cada vez mais competitivo.

Através de projetos com esse tema, constata-se a transformação de jovens através da gastronomia, mostrando que é possível usar um tema que se tornou sinônimo de glamour para mostrar aspectos históricos e sócio-culturais para quem vive numa situação de social adversa. Outro fator importante é a prática da responsabilidade social, mostrando a possibilidade de usar a gastronomia como viés para a educação de jovens, levando-os a reflexão de toda a problemática que envolve um ramo tão amplo como aspectos sociais e culturais que estão intimamente ligados à mesa por meio da gastronomia

Esses projetos reforçam que é possível e necessário a interação entre gastronomia e responsabilidade social no atual contexto mundial. 

 

Os cursos de gastronomia se multiplicaram pelo país e são altamente elitizados e diferenciados do que até então havia sido oferecido em termos de formação gastronômica. Alunos de alto padrão custeiam suas mensalidades. Surgindo assim uma significativa valorização da profissão de chefe de cozinha.

 

O que seria um elemento agregador quando se pensa na gastronomia como fruto do homem inteligente que vive em sociedade e produz cultura, esse mesmo elemento torna-se segregador quando seu conhecimento torna-se inacessível para as classes menos favorecido sócio- econômico devido aos altos valores para custear um curso de gastronomia.

Diante dessa constatação, surge o questionamento: Porque levar a gastronomia como viés para a transformação social com o intuito de formar cidadãos conscientes de seu papel na sociedade?  Mesmo com tantos cursos de formação em gastronomia, há uma crescente demanda por mão de obra qualificada para atender aos empreendimentos na área de alimentação e hospedagem. 

 

Fica claro que é possível e necessário  usar um tema que se tornou sinônimo de glamour para mostrar aspectos históricos e sócio-culturais para quem vive numa situação social adversa. Inserindo-os num mercado de trabalho cada vez mais competitivo, integrando educação ao aprendizado técnico na área de alimentos e bebidas, ou simplesmente gastronomia. Oportunizando dessa forma aos que querem exercer a responsabilidade social e aos beneficiados por uma chance de integrar um novo mercado, oferecido a pessoas com condições sócio-culturais favoráveis.

Muitas instituições, gestores e chefes de cozinha já desenvolvem esse trabalho em comunidades de todo Brasil. São pessoas que além de visionárias nos seus campos de atuação, praticam a responsabilidade social independente do poder público. E o grande retorno, além de levar a arte da gastronomia as todas as camadas da sociedade, é também o retorno profissional, visto que muitos aprendizes tornam-se funcionários gabaritados para seus empreendimentos. Gastronomia e inclusão social é isso: O conhecimento deve ser compartilhado, multiplicado e difundido para seu melhor entendimento e valorização.

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